A JORNADA DE CLIO

Manhã de domingo do dia 14 de novembro de 2021 – Portland, Oregon – USA

Eu finalmente me deitei para dormir em minha cama no Village Health Care – um centro de reabilitação, onde estou aprendendo a andar novamente depois do que parece ter sido um pequeno derrame que afetou minhas pernas. Os médicos ainda não têm certeza.

Foi outra noite agitada. O telefone tocou às 00h30. Estendi a mão para pegá-lo, pensando que poderia ser meu sobrinho, Cyle. Ele me disse que se tivesse alguma notícia sobre Clio (seu pai e meu irmão), ele me avisaria.

Voni?” – era o Cyle. “A enfermeira do hospital me ligou agora para me dizer que papai faleceu há alguns momentos.” Sabíamos que isso aconteceria porque o corpo de Clio estava se desligando, ele não conseguia falar e não reconhecia ninguém. Ele havia entrado nesta última fase de sua jornada cerca de 36 horas antes, e havia chegado ao seu destino alguns momentos atrás. Finalmente, Clio estava em casa!

Eu e Cyle conversamos por alguns minutos. Depois que ele desligou, eu comecei a pensar.

A jornada começou há cerca de 60 anos atrás.

Clio e Alice e a pequena filha deles estavam morando no Alabama, onde Clio era o ministro de louvor de uma igreja.

Alice e Celice viajaram para o Colorado para visitar os pais dela, e o Clio ficou para cuidar das coisas de casa. Clio não estava se sentindo muito animado, então ele estava feliz por não estar viajando.

Dois dias depois, um amigo da igreja, que estava preocupado porque o Clio não apareceu para trabalhar, conseguiu abrir a porta da casa do Clio e o encontrou muito doente. Eles correram com ele para o hospital – era poliomielite, e ele acabou com um pulmão de aço. Eles salvaram a vida do Clio, mas não conseguiram prevenir a paralisia.

Ironicamente, eu estava visitando meus pais em Bellingham, no Estado de Washington, e na tarde em que eles levaram Clio para o Hospital no Alabama, eu estava com três dos meus filhos, minha mãe e meu pai, na fila do lado de fora do hospital para receber as vacinas anti-poliomielite recentemente divulgadas.

No verão anterior, as estatísticas sobre a poliomielite foram horríveis. A pólio estava perseguindo a terra, mutilando e matando ricos e pobres.

Na noite seguinte, o meu pai estava no avião, indo para o Alabama. 

Eu não vou compartilhar mais detalhes desta história agora. Foi um pesadelo, intercalado com vislumbres de luz do sol. Depois de algum tempo, Clio foi levado de avião para Bellingham e internado no hospital, onde começou a dolorosa terapia.

Eventualmente, os suspensórios e cintas aos quais nos acostumamos tornaram-se parte da vida diária de Clio. Os médicos deram-lhe a previsão de viver até os 50 ou 60 anos, mas seria um estilo de vida limitado.

Eles não conheciam Clio. Eu poderia escrever um livro sobre algumas das coisas que ele fez: ele concluiu seu curso de música na Universidade de Oregon, indo de bicicleta para o campus; eu estava no concerto The Messiah, onde Clio cantou uma das principais músicas em um grande auditório em Portland. O fato de ele ter fôlego suficiente naqueles pulmões foi um milagre! Foi chefe do departamento de música do Magic Valley Christian College em Idaho. Andou de motocicleta. Foi caçar. Cantou em muitos lugares diferentes. Trabalhou em várias prisões diferentes com ensino de música e da Bíblia, e muito mais.

Os anos foram passando. Com a idade, Clio podia fazer menos coisas, mas não era o tipo de pessoa que ouvia os conselhos dos outros se não quisesse. Mesmo que seu corpo pudesse fazer menos, ele se recusou a ficar em um centro de reabilitação e insistiu em voltar para sua casa, onde morava sozinho.

Meu pesadelo era ele morrer sozinho.

No ano passado ou perto disso, o corpo de Clio o traiu, pois gradualmente podia fazer menos e menos. Os músculos e pulmões e outras partes de seu corpo pararam de funcionar corretamente. Família e amigos queriam que ele estivesse onde as pessoas pudessem ajudá-lo. Ele insistiu em ficar em sua casa, conseguindo alguma ajuda que vinha do Estado.

Cerca de 10 dias atrás, ele chamou uma ambulância e internou-se no hospital, porque estava com dificuldade para respirar. Depois que os testes foram concluídos, o hospital não podia enviá-lo de volta para casa, nem ele concordaria em ir para qualquer outro lugar que não fosse sua casa. Foi quando o Senhor interveio e disse: “Clio, é hora de voltar para CASA!”

Quando Clio completou sua passagem para CASA, eu estava agradecendo a Deus pelo Clio não ter feito essa passagem sozinho na sua casa, mas com pessoas que se importavam com ele, e porque, pela primeira vez em sessenta anos, o Clio não estava preso em um corpo limitado! Ele pode andar, correr e se regozijar em sua liberdade recém descoberta. Eu estou muito feliz por ele!!! 

Meu irmão está iniciando uma nova fase em sua vida. Do jeito que ele ama música, eu não tenho dúvidas de que ele estará cantando alegremente em um corpo livre de dores, adorando o nosso Senhor! Quem sabe o que mais Deus vai querer que ele faça.

E você sabe de uma coisa: eu estou ansiosa para chegar lá também.

Voni

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Um comentário em “A JORNADA DE CLIO”

  1. Oi Voni
    Isaías 35:3 e Hebreus 12:12 diz que o Senhor fortalecerá suas pernas! Que bom que você tem asas e boas palavras para nossos corações. Ler suas histórias de nossa Belo Horizonte nos faz voltar no tempo onde você fez muita diferença pois plantou muitas tâmaras. Eu tinha todos os seus discos e ia em vários shows de sua banda. Suas pregações nós fortaleceram.
    Você é uma referência para muitos. Ter te achado foi um presente de Deus.
    Que bom que você está escrevendo tantas histórias.

    Sonho um dia te ver novamente e quem sabe tomarmos um belo chá.

    As montanhas de Belo Horizonte ainda cercam a cidade como o Senhor cerca sua vida. Elas têm muitas saudades de você.

    Obrigado por existir.

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