CHOVENDO EM PORTLAND

(Benjamin Brink/The Oregonian) LC- The Oregonian

Um dia frio e chuvoso – típico de Portland, Oregon — Novembro

É hora de ir para casa. Eu corro para o meu carro, destranco-o, torcendo para não ficar totalmente molhada enquanto eu abro a porta e fecho rapidamente, entro, jogo os livros que estou carregando no banco da frente e bato a porta. Eu quero fazer tudo em um movimento rápido e fluido, para continuar enxuta, mas eu não tenho muito sucesso.

Eu saio, e o trânsito está lento. São 5:30 da tarde, a hora em que todo mundo quer ir para casa. Tudo ao meu redor está cinza. A forte chuva que está caindo, cria uma cortina que esconde tudo parcialmente, de modo que não há cor, deixando só aquele cinza sombrio.

Eu começo a falar com Deus sobre o dia: agora é um bom momento para isso. Eu tenho muitas coisas que eu quero falar com Ele, incluindo os materiais para as aulas de grupos de diferentes idades na igreja, onde sou a mais nova integrante da equipe: Pastora responsável pelo Ministério de Ensino Bíblico. Essa responsabilidade é um desafio – e eu amo ele.

Entretanto, neste momento, eu estou pronta para chegar ao meu pequeno apartamento, ligar o aquecedor, tirar essas roupas molhadas e pegar um pouco de café. Como eu estou morando sozinha, a refeição de fim de tarde é super simples.

Enquanto eu dirijo, minha mente viaja para uma cidade há milhares de quilômetros de distância, em um outro continente, onde eu vivi durante os últimos 20 anos. O número de habitantes está na casa dos milhões, em comparação com as centenas de milhares em Portland. Chove forte em Belo Horizonte, mas é uma chuva quentinha, não é gelada como em Portland.

Eu começo a falar sobre isso com o Senhor, perguntando a Ele quando eu vou voltar para aquela cidade e pessoas que amo.

Eu ouço uma voz. Ela fala baixinho: mas quando eu a escuto, eu presto bastante atenção:
“Você vai retornar, mas não ficará por lá permanentemente.”

Eu agarro o volante, consigo sair do trânsito e ir para o meio-fio, onde desligo o carro, coloco meus braços e cabeça no volante e chego a soluçar de tanto chorar.

“Senhor, o que sobrou? A infidelidade do meu marido e seus filhos com outra mulher me deixaram sem casamento e de mãos vazias.

Eu Te agradeço por cuidar de mim. O Senhor é fiel e demonstra o seu amor por mim de muitas maneiras!

Lembrando poucos dias atrás, eu ainda não consigo acreditar como eu caí de todos aqueles degraus da escada da igreja, com os meus braços ocupados, segurando uma caixa de livros e não me machuquei!
Estava trabalhando até tarde e o prédio estava vazio. Eu consegui me levantar do chão daquela escada, respirar fundo, juntar todos aqueles livros e terminar minhas tarefas antes de ir para casa.
Eu nem tive hematomas depois daquele tombo – mas eu ainda me lembro de como eu fiquei assustada e agradecida quando eu pensei em todos os “e se”…

“Pai, eu vou guardar essas palavras na minha mente e não vou pensar nelas. Se for a Sua vontade, o Senhor vai me mostrar quando for a hora e vai me dar a força de que eu preciso.”
Eu paro de soluçar, limpo os meus olhos, ligo o carro e volto para o trânsito, fazendo o que eu disse a Ele que faria.

Agora, estamos em 2021 – quase 31 anos depois daquela noite em Portland, Oregon.
Uma vez mais, eu estou em Portland. Embora eu não queira, creio que chegou a hora de colocar essas palavras na minha frente, orar para aceitar a realidade delas e aprender a andar nelas.

“Pai, eu vou precisar da sua ajuda!”

Voni

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